Liberdade irrestrita. Sem liberdade não existe crescimento. Aqueles que querem restringir a liberdade na internet, alegando a desculpa da pirataria, são aqueles que não conseguem de adaptar aos novos tempos. São aqueles que moldam os seus relacionamentos através do dinheiro e do poder. Observem atentamente aqueles que são a favor do SOPA e do PROTECTIP. Os tempos mudaram e novas mudanças devem reger o mercado.
Arte & Alquimia
Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. Este blog foi criado com o objetivo de divulgar Thelema, através de textos que considero explicativos. Todo comentário construtivo para a divulgação e expansão de Thelema no Brasil será bem vindo. Amor é a lei, amor sob vontade.
22 de janeiro de 2012
12 de dezembro de 2011
Texto para Canídia
Com certeza, as maiorias das bruxas o eram apenas em denominação, manipuladoras com a superstição e com o senso comum. No entanto, todas as mulheres pagaram um preço alto demais por causa dessa “brincadeira”. Sempre, ao longo da História, houve uma resistência feminina ao poder que queria mantê-las submissa. A mulher buscou a sombra e a noite escura, que nada mais é do que o lugar longe do controle cultural, para manter seu foco de resistência.
A fragilidade da psicologia feminina, o que as tornam tão especiais e fruto de tanta admiração, quando violada as levam irremediavelmente à loucura e a toda crueldade que elas conseguem expressar. Portanto, todas as mulheres deveriam cuspir e queimar todos os livros que pregam sua servidão, mas elas são grandes demais para privarem os homens de seus medos.
Portanto, a vida social é o produto da fidelidade do ser humano aos ritos sociais…
A noção de sacrifício e do sofrimento é muito mais do que cultural, é atávico. O motivo primeiro parece ter sido realmente esquecido e o que sobrou foram as superstições. Os sacrifícios e os seus ritos de sangue nada mais são do que o grande medo e o fator do desconhecido que a morte gera. Os ritos de sangue, por sua vez, se iniciam com a descoberta de que se poderia impor à Natureza os desejos humanos.
Assim sendo, resgatar Lilith do Mar Vermelho nada mais é do que aceitar a mulher como ela é. É compreender a Essência do seu Sacrifício. É estar ao seu lado pela vida. É ter nela nossa companheira de viagem pela selva que é o ato de viver. É reconhecer e aceitar que nela convivem a Mãe e a Prostituta.
28 de outubro de 2011
Proêmio Sobre a Criação
Houve um tempo em que não existia nem céu, nem terra e nada era senão o vazio – também chamado de águas primevas –, sem limites, a mais densa escuridão. Para esta condição a consciência do ser humano deu o nome de Nut, algo sem tempo e nem espaço, nem profundidade ou altura, e sua duração superaria qualquer contagem de tempo ou qualquer coisa que possa ser concebida. Apesar de ser vazio, ali existia o cerne de todas as coisas que mais tarde, vieram a existir e que ainda virá existir neste mundo ou neste universo e em todos os outros mundos e universos. Este estado de não manifestação era algo próximo ao Amor, mas não se prendam no que acreditam que possa ser isto, pois está muito além de qualquer compreensão. Nut dormia em seu Amor, mergulhada em si mesma, completa em si mesma.
Por fim, seu Amor gerou um despertar de sua apatia e ela sentiu Vontade de manifestar este Amor. Para esta condição a consciência do ser humano deu o nome de Nu, e ela que era toda feminina em essência, se contorceu em espasmos de Amor e se tornou masculino em essência. Seu movimento neste espasmo fez Nu ejacular e assim tudo passou a existir: o tempo e o espaço, as alturas e as profundidades do mundo e do universo. Desse espasmo um universo surgiu após o outro e uma Palavra foi pronunciada até que os seus últimos espasmos ocorressem. E da última gota de sua ejaculação, ao cair sobre as demais que agora haviam formado o oceano do universo, surgiu a Consciência.
Existe, porém um momento entre o nada e o tudo, entre o vazio e a manifestação, um instante zero, entre o menos um e o mais um. Para este Instante ou ponto de mudança que, nada mais é do que um Equilíbrio entre Amor e Vontade, a consciência do homem deu o nome de Maat. Um Instante de suavidade entre morte e espasmo: isto mais tarde seria conhecido por diversos nomes místicos em diversos lugares, os pensadores da Hélade o chamaram de αγάπη.
Da última gota de onde surgiu a Consciência de todas as coisas, surge a primeira manifestação daquilo que um dia viria a ser a alma humana. Para esta condição a consciência do homem deu o nome Hoor-paar-kraat (depois de Amen-Ra). O Silêncio daquilo que contemplou os primeiros momentos da Criação, pois não existe outra Vontade além da Palavra de Nu, o espírito que envolveu tudo depois da criação. Este Silêncio está envolvido por um ovo e assim ele permaneceu e deverá permanecer, brilhando no interior de todas as estrelas. E cada estrela é composta de uma parte desta Palavra, pois cada uma a compreende e a exerce de acordo com tua natureza.
Da emanação do interior deste ovo surgiu Ra, a essência do sol, dentro de cuja forma brilhante estava incluído o poder absoluto do “espírito divino”, a vida. Para esta condição a consciência do ser humano deu o nome de: o criador do mundo. E mais tardiamente surgiu o conceito de um deus criador de todas as coisas. Quando estes conceitos foram criados, junto foram construídas as mitologias para tentarem explicar aquilo para o qual não havia explicação. Sabia-se que de Um todos os outros surgiram e a isto foi dado o nome de politeísmo, por aqueles que vieram tardiamente. E nesta expansão, separação ou fragmentação constante do universo, o ser humano tentou reverter o processo e disto surge aquilo que, também, ainda mais tardiamente, foi chamado de monoteísmo.
A Terra foi construída a partir de três elementos fundamentais e tudo que constitui a Natureza é tripla em essência, e isto pode ser contemplado naquela Morada dos deuses. No entanto, o universo continua se fragmentando e a Verdade que um dia podia ter sido uma, não mais foi encontrada. E quanto mais se fragmenta, mais fácil é manipular suas partes, por isso que surgiu o conceito de um opositor à criação. Quando isto ocorreu, eis que surge o conceito de bem e de mau: das luzes e das trevas. Mas como o “deus” sol lunar, adorado desde os tempos pré históricos, estava distante demais das mentes criaram-se outros mitos sendo que Set (o lado obscuro de Osíris) foi escolhido para ser o opositor de Osíris (o ser humano). Pela manipulação desta fragmentação é que Osíris, mais tarde, suplantará Ra, mas mesmo isto foi necessário. E quando isto aconteceu passou-se a ver o sol apenas como um astro menor e a Osíris como uma divindade salvadora, que livraria a humanidade de suas maselas, da sua dor, dos seus pecados e da sua suposta finitude. Assim, o que vimos ao longo do tempo foi que, uns copiaram aquilo que não compreendiam e fragmentaram ainda mais aquilo que já estava sendo perdido.
Agora foi dado conhecer todas estas coisas e assim os “deuses” estão aos poucos retornando para suas moradas de direito. Ao ser humano cabe a sua própria responsabilidade pelas coisas. Aqueles que um dia eram chamados de deuses, mas simplesmente meros irmãos e irmãs, se foram e nos deixaram os fundamentos de uma ciência, uma mera ferramenta entre tantas outras para a compreensão desta fragmentação. Alguns foram aqui deixados, por livre Vontade de escolha, para velarem o sono e o sonho daqueles que olham as trevas (Infinito) e veem apenas azul (Terra) e dourado (Sol). Mas deve agora o Silêncio se abater sobre este pequeno proêmio que foi aqui deixado e escrito sem qualquer pretensão de explicar a criação.
22 de setembro de 2011
Não existe Deus senão o homem
Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.
Curiosamente estamos diante de um paradoxo e todo o paradoxo é em si mesmo engraçado, porque estimula perguntas cujas respostas levam tempo a serem respondidas, isto é, quando elas conseguem ser respondidas. Mas onde quero chegar? Estamos diante de uma nova religião, conhecida por Thelema e ela é, ao lado do Taoísmo e até mesmo do Budismo, uma religião que não possui deus ou qualquer divindade de adoração.
Seria isso possível? Sim. Ela é uma religião além de qualquer adoração divina ou temor a um deus. Mas então, o que seriam aquelas divindades conhecidas como Nuit, Hadit, Ra-hoor-khuit, Hrumachis e tantas outras que surgem em diversos escritos? O que seria a tal Companhia do Céu descrito logo no início do Liber AL vel Legis? Ora, eles são neter, são neteru, uma expressão egípcia antiga que foi erradamente traduzida por deus ou divindades. Na verdade, o termo neter (plural, neteru) quer dizer simplesmente Essência ou Princípio. Assim temos o Princípio ou Essência da guerra, do amor, da fertilidade, da morte, etc. Alguns egiptólogos já trabalham com o conceito de que os antigos egípcios não eram politeístas como aprendemos na escola. A igreja de Roma é politeísta? Afinal, os seus seguidores adoram seus santos quase como se fossem deuses.
Thelema é uma religião de adoração ao ser humano enquanto Essência de algo “divino”. Nem mesmo o nosso Sagrado Anjo Guardião pode ser considerado em algo divino, baseado no conceito de deus. (In)felizmente, para a maioria da humanidade, não existe deus e nem salvação; e eu acredito realmente nisso, é por onde minha experiência e vivência em Thelema acabaram me levando. Sempre quando penso no Anjo Guardião penso em uma passagem do tão deturpado Livro do Apocalípse, mais precisamente no Capítulo 22, Versículo 9 que diz, após João se prostrar aos pés do anjo, pensando em deus: “Não faças isso! Sou um servo, como tu, como teus irmãos, os profetas...”
Quem seria então esse deus que todas as religiões, principalmente as monoteístas, dizem existir? De quem o anjo é servo? Deus é o Princípio da Vontade e até o anjo é servo de sua Verdadeira Vontade. Cada homem e mulher é uma estrela, uma Essência, que é resumida naquilo que é chamado de Verdadeira Vontade. Não existe aqui lugar para deus ou para qualquer noção de restrição (ie, pecado). O Universo ou a Natureza se faz e se expande por causa de sua Verdadeira Vontade, que é algo completamente natural – talvez por isso que a Natureza seja imperfeita, como o ser humano tem descoberto.
O filósofo francês Etienne de La Boétie, em seu “Discurso da Servidão Voluntária” diz que: o homem é menos livre do que um cavalo, por já nasce domesticado. É essa domesticação que emperra o conhecimento e a realização da Verdadeira Vontade em cada ser humano, assim cabe a cada um de nós em não sermos pedras talhadas para um muro uniforme, mas pedras brutas, individuais, com suas próprias características.
Com certeza, existem Consciências superiores à consciência humana e isto é um fato. Mas se perguntássemos a essas Consciências se elas são deuses e se foram elas que criaram tudo o que conhecemos etc. Elas iriam sorrir como um pai, mergulhado em amor, sorri para um filho recém nascido.
Amor é a lei, amor sob vontade.
21 de junho de 2011
Entrevista sobre Thelema – parte II
Sempre quando leio sobre Thelema, fico com a impressão de existe algo ainda mais profundo e que escapa ao “olhar” desavisado. Estaria certo ou isto é só uma sensação? Thelema tem mais coisa por detrás do que o “Faze o que tu queres...”?
Não é apenas uma impressão. Existe muita coisa por detrás de Thelema, mas seria aqui impossível falarmos sobre ela, por ser uma questão delicada e que eu não gosto muito de comentar. Não estou querendo esconder nada de você, mas, por exemplo, falar sobre contatos extra nossa mundo, pode remeter à conceitos comumente mitificados.
Este seu cuidado também está relacionado com a sexualidade?
Não necessariamente. Teorias não levam o estudante a nenhuma realização e nem experiências baseadas em teorias. Na questão da sexualidade é necessário já ser mestre em algumas categorias do yoga, por exemplo, o que a grande maioria ainda nem começou a realizar.
As pessoas no Brasil teem falando muito sobre linhagens mágicas. Fazer parte de uma linhagem é realmente importante?
Realmente eu não acredito na validade de “linhagens mágicas”. Se fosse assim, por exemplo, todos os alunos do Crowley teriam sido grandes iniciados e a história nos prova o contrário. Acredito que você pode começar sem qualquer “linhagem” e ao longo dos anos ir se vinculando a uma. É a sua perseverança, dedicação e aprofundamento na Tradição que o leva a se vincular a uma “linhagem”. Na verdade, acho essa idéia de linhagem terrível, é para mim mais uma questão de vaidade e de curiosidade mórbida do que algo realmente efetivo, importante.
O Sr. pertence a qual “linhagem”?
Inquestionavelmente, a minha descende diretamente de Mestre To Mega Therion. Mas isso é tudo uma grande bobagem!
A que Tradição o Sr. se refere?
A Tradição a que Thelema se baseia. O Grant é o que melhor explicou sobre tal assunto em seus diversos livros.
Foi importante o Sr. falar disso: no início deste ano faleceu o Sr. Kenneth Grant. Sei que o Sr. o tem em grande estima, poderia falar um pouco sobre ele?
Não tenho muito o que falar dele. Nunca o conheci pessoalmente, o máximo que tivemos foram correspondências. Nosso contato se iniciou na década de noventa do século passado, quando o Instituto Aleister Crowley editou em português o Magical Revival. Cartas foram trocadas ao longo desses anos e o que posso dizer é que ele é a pessoa mais importante em Thelema desde o Crowley. Particularmente, eu o considero como o verdadeiro Filho Mágico profetizado no Livro da Lei.
Por que o Sr. diz isso?
Porque ele veio logo depois do Profeta, dando continuidade à Obra de Mestre Therion, além de explicar aquilo que este não teve como fazer. A finalidade de um Filho Mágico é dar prosseguimento ao Trabalho, mantendo-o em uma direção segura. Geralmente, os Filhos Mágicos expõe seus “Pais”: às vezes, até demais. Thelema tem pouco mais de cem anos e já podemos perceber alguma deteriorização de conceitos e de ensinamentos, mas isto é completamente normal, mas nos dias atuais não é mais aceitável.
Mas no que o Sr. se baseia para dizer que ele seria?
Me baseio no Capítulo I, nos Versículos 55 e 56 do Liber AL vel Legis. O Grant não estava nem no oriente e no ocidente, mas na própria Inglaterra e foi sem dúvida o último grande aluno a estar com ele. Mas isto é apenas a minha opinião pessoal e não passo neste momento de um terrível foco de pestilência.
O Sr. se considera o Filho Mágico do Grant, expondo-o ao mundo como aquele profetizado no Livro da Lei?
Esta é uma pergunta tão tola que nem merece resposta.
O que aconteceu com o Instituto Aleister Crowley? Ele ainda existe?
O Instituto Aleister Crowley foi idealizado visando a publicação de livros e no auxílio a grupos de estudos de Thelema. O I.A.C. está com suas atividades restritas, no presente momento.
Outro dia quando li o seu blog sobre o Tarot de Thoth ele me pareceu muito hermético para o público em geral. Qual é o seu objetivo com um blog escrito dessa maneira?
Não tenho muita a intensão de explicar ou de ensinar tarot nesse blog, para isso é que existe uma dezena de outros na internet. Minha intensão é escrever livremente sobre a minha percepção e conhecimento sobre os Arcanos, baseado em minha vivência dentro de Thelema. A grande vantagem dele sobre o Arte & Alquimia é que posso reescrevê-lo quando quiser.
No mesmo blog sobre o Tarot, o Sr. diz que o Aeon de Hórus começou em 1950 e.v., com a queda do Budismo Tibetano. Seria o Budismo Tibetano a grande religião do Aeon de Peixes e não o Cristianismo?
Bem, tecnicamente, o Cristianismo não pode ser considerado uma religião. Uma religião possui um método que leva os seus seguidores ao contato direto com a divindade, através de práticas, apoiadas em uma filosofia verdadeira. Incrivelmente, isto não acontece com o Cristianismo; e ele está muito mais próximo de uma seita do que de uma religião. Não temos como comparar o Cristianismo com o Islamismo, Taoísmo, Hinduísmo, Zoroatrismo...
...O Budismo é uma religião verdadeira, com uma filosofia construída através de uma prática. O Budismo é tão verdadeiro em seus preceitos que é de todas as religiões, no meu modo de ver, a mais racional: convincente, quero dizer. Outro dia lendo a Blavatsky, ela confirmava essa minha observação, dizia ela que o Budismo é a própria Razão.
Curiosamente, quando lemos no Liber AL que a Razão é uma mentira, podemos compreender que este nosso último Livro Sagrado vai de encontro aos conceitos considerados intocáveis do Aeon passado. Infelizmente, estou sendo foco de pestilência, mais uma vez.
Alguns thelemitas dizem que já estamos vivendo no Aeon de Maat e não mais no Aeon de Hórus, isto é certo? O filho mágico do Crowley, Frater Achad, estaria equivocado sobre este assunto? Em sua opinião, o que é o Aeon de Maat?
O Aeon de Maat é um período transitório entre o final de uma antiga Era e o início de uma nova. Em minha opinião, o período de 46 anos entre o recebimento do Livro da Lei, em 1904 e.v., até 1950 e.v., com a invasão do Tibet, demarca este pequeno Aeon de Ajustamento. Tudo o que aconteceu nesse período de tempo demonstra o fim e o início de um ciclo. O Aeon de Hórus tem a sua primeira grande manifestação nos anos sessenta do século passado, com o movimento hippie. Curiosamente, esse movimento se apoiou fortemente contra a guerra do Vietnam e contra qualquer ato que fosse violento.
E o que isso quer significar?
É meio complicado de explicar, mas basicamente que: Aquário, é regido pela guerra (conflitos), e este é o meio que os homens comuns utilizam para evoluírem; e Leão, regido pela vontade, é o meio que os Iniciados evoluem...
O Sr. já foi membro da O.T.O.?
Não. Iniciei minha trajetória em Thelema na Sociedade Novo Aeon, que seguia o sistema da O.T.O. baseado nos “conceitos” do Sr. Marcelo R. Motta e mais tarde na de Frater Aster. No entanto, dentro da S.N.A. tive acesso aos ensinamentos da O.T.O. e ao longo dos anos fui adquirindo muitos dos seus materiais e instruções mais internas. Naquele tempo ainda não tínhamos internet, como nos dias atuais, e se você quisesse ter acesso a documentos e materiais, teria de fazer parte de alguma organização ou pagar para tê-los.
O Sr. conheceu o Sr. Marcelo Motta?
Não. Quando entrei na S.N.A. em setembro de 1992 e.v. ele já havia falecido há alguns anos.
Pode falar sobre o Sr. Euclydes de Almeida?
Ficamos afastados por muitos anos, desde que a Loja Therion, da S.N.A., se desfez, mas nos seus últimos anos de vida, voltamos nos reaproximar. Era uma pessoa de quem eu gostava muito e a quem eu respeitava.
Faz parte atualmente de alguma ordem além da A.’.A.’.?
Sim.
Qual é a maior manipulação, em sua opinião, que o homem cometeu em toda a sua história?
A idéia de deus! É a ilusão da existência de deus que afasta o ser humano. Ora, se deus está do meu lado, se sou o escolhido de deus, eu não preciso de você para coisa alguma. Deus irá me prover de tudo. Só que deus não existe. Nenhuma divindade estará ao nosso lado em toda a nossa caminhada aqui e no além, além do outro. O ser humano não tem a não ser o outro ser humano para suprir suas necessidades.
Aquele a quem chamamos de Ser Espiritual não tem nada de espiritual no sentido religioso que se imagina. Nosso Sagrado Anjo Guardião não é mais espiritual do que cada um de nós. Em verdade, todos nós nos apoiamos uns nos outros, para a evolução de todos. Se cada ser humano compreender que precisa do outro e nos livrarmos dessa idéia doentia de deus e divindades, de salvação, passaremos sim a sermos uma fraternidade aqui, neste pequeno planeta.
Estamos sós e essa solidão só termina quando aceitamos o outro. Como que as pessoas querem ter contatos com seres de outras esferas, tão diferentes de nós, se elas não conseguem sequer aceitar outro ser humano e não tão diferente de nós?
O que fez o Sr. a optar por Thelema? Quando conheceu?
Eu comecei minha trajetória com o Budismo, pela escola Zen, em 1989 e.v. Com o Budismo comecei a meditar e nunca mais parei. O Budismo é ainda um sistema que conheço e que respeito profundamente. No princípio de 1991 e.v. deixei o Budismo e busquei um novo caminho, agora, pela magia, indo cair na Escola de Magia que funcionava na cidade do Rio de Janeiro. Em abril de 1991 e.v., talvez por causa das práticas de Raja Yoga, não sei, tive uma experiência que modificaria toda a minha vida dali em diante: naquele momento começou o meu Refinamento enquanto ser humano.
No entanto, foi em 1992 e.v. que li Liber OZ e este panfleto caiu sobre mim como uma pedra, definitiva. Percebi que tudo que estava fazendo estava equivocado. Procurei um conhecido da Escola e ele me deu para ler as Oito Lições de Yoga escrito pelo Crowley, no Magia em Teoria e Prática, e minhas experiências e impressões [e natureza] se coadunaram com aquilo que estava tendo acesso. A péssima impressão que tinham feito do Crowley se dissipou instantaneamente.
O que li sobre a A.’.A.’. mudou minha vida e pude compreender a experiência do ano anterior, tinha encontrado o caminho de casa e foi na busca por Ela que acabei conhecendo a Sociedade Novo Aeon. Thelema me mostrou um outro Caminho, onde desrespeitar a minha Natureza é a mais pura restrição.
Mas o que está por detrás de Thelema?
Bem, já que voltamos a pergunta inicial, Thelema nos prepara para uma nova realidade, para novos encontros ditos “espirituais”. E estes encontros transformarão radicalmente a psique humana.
Resumo da entrevista realizada
por Urbino Costa com Sérgio Bronze
em 28 de abril de 2011 e.v.
6 de dezembro de 2010
Entrevista sobre Thelema
Tecnicamente Thelema é uma religião a partir do pressuposto de que todo o ensinamento que ela trás em si leva o homem a se fundir no Divino. Como a palavra religião (religare = religar) quer dizer, Thelema tem a capacidade de fazer com que cada homem e mulher por si próprios, possam ter a possibilidade de religar a consciência microcósmica na macrocósmica. É uma religião considerada de revelação, desde que possui uma série de Livros considerados Sagrados, Inspirados, e um principal, o Liber AL vel Legis, que é a coluna central de toda a filosofia thelêmica.
O objetivo de todo e qualquer ritual e prática, não apenas thelêmica, é levar o praticante a estados alterados de consciência. O objetivo primeiro é atingir ao Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião, pois sem Ele tudo é muito mais complicado. A segunda etapa é destruir a própria mente, mas este destruir nada mais é do que ter o pleno domínio sobre a mente, sobre o Ego. A terceira etapa é conseguir manter, toda vez que se torne necessário, a Consciência mergulhada na Consciência Divina, e isto é se tornar em deus.
No início do treinamento todos os apetrechos externos são necessários para levar a mente a um frenesi mágico. Servem como estímulos aos sentidos, mas com o passar do tempo o praticante deverá compreender que todos esses apetrechos estão dentro de si mesmo. Eles não são nada mais do que símbolos internos. Consequentemente, ele abandona todos os rituais externos e mergulha cada vez mais para dentro de si.
Nada contra. Cada ser humano se encontra em um estágio particular de sua evolução. Existem pessoas que precisam de algo externo para poder sentir algo interno. Na verdade, ao longo da história humana, sempre se comercializou o sagrado. Percebe-se que algumas pessoas precisam demonstrar para outras que elas estão de posse do sagrado, nem que para isso precisem comprar o sagrado. Não é porque se comercializa algo que se está profanando o que é realmente sagrado.
Eles apenas esbarraram como não poderia ser diferente, na superficialidade dos ensinamentos do Crowley. No lado exotérico de Thelema.
Hoje em dia tudo se torna pop. Não vou falar aqui do que sei sobre as outras organizações, prefiro me ater à Santíssima Fraternidade da A.’.A.’. Percebo que as pessoas acham que a A.’.A.’. é apenas mais um ordem, uma organização como outra qualquer: que se entra e que se sai ao bel prazer. Estão enganados!
2 de dezembro de 2010
Ilusão Iluminada
Ó Mara, não fiz de ti minha inimiga, não fiz de nós uma luxúria, nem uma guerra sem vencedores e nem tampouco uma avareza de intenções. Tu não és uma inimiga indesejável, pois até em ti existe uma companheira: aquela a quem toco em suavidade. É por tua causa que minha cumbuca está cheia de comida e que posso me dar ao luxo de me aquietar…
Assim, sento sob esta árvore no centro do palácio de meu pai, contemplando o universo em movimento do qual me desapeguei. Eu sentava e o universo se movia, de tanto se mover ele parou e quando ele parou percebi que tu eras bela. Nunca foi minha intenção criar um mundo perfeito: tolice. Também não abandonei nada, apenas morri e eles disseram que eu era iluminado. Por tua causa voltei à vida e o que seria de tudo sem tua presença?
Ó Mara, não fiz de ti minha inimiga, somos amantes e amigos. Trilhamos por caminhos diferentes, paralelos, mas eu posso te tocar quando quiser: quando minha Solidão for insuportável. Fui e voltei por tua causa. Fui e voltei por causa da vontade de amar. Voltei e não estava mais preso apenas aos teus lábios.
29 de novembro de 2010
Eu te adoro em nosso templo secreto e bebo de ti a minha própria vida vermelha, grossa, vital...
Como é terrível te amar!
Como é abominável pertencer apenas a ti!
Ó, como sou feliz em ti!
Ninguém pode imaginar como posso te amar, sem dor e sem prazer. Tu és a suavidade do campo de batalha e a sanguinária no leito dos amantes. Sou duplo e sou um, mas sempre por ti.
Te amar é conhecer a morte. Teu sexo é minha morte: vida. Posso ter tudo em ti e mesmo assim não quero nada.
De todas as tuas filhas amadas e desejadas, amo e desejo mesmo é a ti.
7 de outubro de 2010
19 de setembro de 2010
A verdade, assim como o Caminho espiritual, é individual. Não é porque um homem santo e sábio, e de renome, diz sua verdade que esta deva servir para mim. Não acredito em nenhuma verdade que não seja a encontrada por mim mesmo, e isto é minha Luz.
Leio textos taoístas, budistas e hindús, e enxergo nelas grandes verdades. Leio textos clássicos e textos de homens comuns, e vejo neles grandes verdades. No entanto, são verdades de outros, porque são o Caminho de outros, mas o meu Caminho deve ser feito pelo meu esforço, pela Verdade do meu Entendimento, pela minha Verdadeira Vontade. Levei anos até conseguir aceitar o próprio Mestre Therion como um possível Mestre. O meu Instrutor, Meu Amado, sempre deixou que as escolhas fossem minhas e nunca, nunca, disse que eu estava certo ou errado, isto aprendi por mim mesmo: Ele apenas observa e faz pequenas correções, pois não existe ninguém que me conheça melhor do que Ele mesmo. Curiosamente, isto nada tem haver com livre arbítrio. Eu não sou livre para fazer o que eu quiser, estou eternamente atado à TUA Vontade e isto é a minha Verdade e minha Liberdade.
Sou exatamente aquilo que devo ser, não sou nem melhor e nem pior do que qualquer outro homem santo ou sábio que já tenha ou que ainda virá a pisar este planeta. Sou a Estrela (Essência) mais perfeita e única do que posso ser, seguindo a minha órbita, minha Vida pré destinada.
As pessoas vivem repetindo e realizando as verdades de outras e quase nunca encontram as suas próprias. O Caminho espiritual está cheio de fracassos porque se quer sempre atingir aquilo que outros dizem ter atingido, pelos métodos deles. Devemos seguir nossa Natureza e fazer isto é estar irremediavelmente sozinho e no mais completo silêncio. Hoje compreendo o que Ele quis me dizer em 1995 e.v. quando disse que o meu destino era ficar só. Sim, estou só! Mas erguido em minha própria montanha, minha cabeça coroada aos Céus, meus pés tocando as Terras dos homens e minhas mãos acariciando meu pequeno jardim. Infelizmente ou felizmente, ainda, não tenho uma idéia precisa, não tenho como escapar desta solidão ou deste silêncio, mas compreendo que isto tudo me faz ser um ser humano um pouco melhor.
Ontem uma cliente me dizia que o Amor para ela era a aceitação do outro e não a compreensão do outro. Divergimos sobre esta questão durante horas, até que compreendi que eu a amava profundamente e todas as divergências cessaram. Posso não aceitar a verdade do outro, mas devo aceitar a verdade do outro como sendo a sua própria verdade. Assim, todas as divergências cessam e podemos finalmente caminhar pelo nosso Caminho. Esta é minha maneira de Amar...
Algumas vezes tenho o desejo de gritar alto, mas isto seria uma tolice, no final das contas, depois de ter escrito tudo o que escrevi acima. Se assim o fizesse, minha verdade seria uma mentira e isso é tudo o que ela não é.
Sérgio Bronze – Diário pessoal